1. - A sua mãe está?
- Não, foi para o hospital.
- Algum problema?
- É, na cabeça.
- É?...
- Ela vai mudar o corte de cabelo.
- Ah, bom! Ela foi ao salão de beleza!
2. - Como vai o novo emprego?
- Não deu...
- Como, assim?
- Perdi o dia da entrevista.
- Por quê?
- Confundi dia 4 com dia 8.
3. O sujeito saiu de casa depois de brigar com a mulher dizendo: “Quero a liberdade”. A mulher, apavorada, correu para a delegacia aos prantos. Ela pensou que o marido havia dito: “Quero uma arma”.
4. Hoje está muito quente. Vamos lá naquela cerveja beber um edifício?
Estas são quatro histórias fictícias, porém, possíveis de acontecer no caso de estrangeiros falando japonês.
Confundir byoin (hospital) com biyouin (salão de beleza), yokka (dia 4) com yooka (dia 8), jiyuu (liberdade) com jyu (espingarda), biiru (cerveja) com biru (edifício) seria a mesma coisa que uma pessoa japonesa não saber distinguir o R do L, o V do B e, consequentemente não pronunciá-los bem.
Mesmo assim, o japonês é bem difícil. Para nós, nikkeis, a situação não muda. Se não nascemos e nem fomos criados no Japão, a língua japonesa não deixa de ser uma língua estrangeira.
Uma porcentagem de nikkeis consegue ouvir e entender, mas quando chega a hora de falar, tudo se complica. Tenho um exemplo a respeito. Certa vez, uma senhora brasileira disse à minha mãe. “Sabe, acho incrível o que acontece na casa vizinha, que é uma família japonesa. Os pais falam em japonês e os filhos só usam o português e assim eles conversam! Não dá para entender como conseguem!”.
Mais um obstáculo é a leitura e a escrita. Para se sair bem é imprescindível o conhecimento dos ideogramas (kanji). Dentre as três maneiras de escrever, esta é a mais difícil. Para ilustrar, cito o caso de uma decasségui que disse ao chefe de seção: “Não fale em kanji que eu não entendo”.
Eu tive noções de kanji na escola de língua japonesa, que acabei largando quando ingressei no ginásio.
Daí em diante, fui-me distanciando cada vez mais do japonês, limitando-me à leitura da popular revista japonesa para meninas “Shojo Kurabu”, que meu pai me comprava todo mês.
Recentemente, voltei a me dedicar ao estudo do kanji, devagar, com espírito de quem está fazendo uma terapia para meia idade. O estudo dos ideogramas é interessantíssimo.
Até me aventurei a escrever senryu, poema de 17 sílabas de cunho humorístico. Tudo muito prazeroso, despretensioso.
Divórcio aos 50
Nem te conto o motivo
Adeus cãozinho